A relação terapêutica é assimétrica, mas não hierárquica

Escrito por:Mariana Cristina|

A relação terapêutica acontece por meio de uma assimetria — mas isso não significa, necessariamente, uma relação hierárquica.

Existe uma fantasia bastante comum de que a relação entre terapeuta e cliente deveria ser completamente horizontal. E ela não é. Não é tão horizontal assim. Há, sim, algo que diferencia o meu papel de terapeuta do papel de quem está em atendimento. Mas essa diferença não passa por hierarquia.

Não é sobre saber mais ou saber menos.

Não é sobre ser mais ou menos capaz.

Não é sobre ter mais ou menos poder.

A relação terapêutica se estabelece a partir de uma diferença de papéis, não de valor. O meu papel, enquanto terapeuta, é prestar um serviço. É estar ali para te ajudar a desenvolver aquilo que, naquele momento, ainda está em construção: autoconhecimento, autoestima, percepção de si, clareza emocional. É te ajudar, na prática, a sustentar mudanças reais na sua rotina e na sua vida.

Eu estou do outro lado da relação para caminhar junto — às vezes pegando na mão, às vezes apontando direções, às vezes ajudando a organizar aquilo que ainda está confuso.

A relação terapêutica não é hierárquica porque eu não sou melhor do que o meu cliente. Não é hierárquica porque eu não sou mais capaz. E também não é hierárquica porque eu não tenho mais poder.

Pelo contrário: quem tem o poder de escolha, de execução, de se abrir ou não se abrir, de fazer ou não fazer, é sempre o cliente.

Muitas pessoas deixam de fazer terapia por receio de quem vão encontrar ali. Por medo de uma relação atravessada por autoridade, julgamento ou superioridade. Por uma fantasia de hierarquia excessiva.

Este texto é justamente para te dizer: não é por aí.

Dentro de uma relação terapêutica bem estabelecida, você vai encontrar alguém que tem um conhecimento diferente do seu — e isso faz parte do trabalho. Vai encontrar alguém que ocupa um lugar privilegiado, porque observa de fora, a partir de uma perspectiva externa, sem estar mergulhado nas suas nuances emocionais.

O terapeuta não está dentro das suas relações.

Não está dentro dos seus conflitos.

Não está atravessado pelos dilemas dos seus vínculos.

E é exatamente isso que permite uma visão mais ampla, mais organizada e, muitas vezes, mais clara. Essa posição faz diferença na prática.

Ainda assim, se em algum momento você se sentir inibido, diminuído ou silenciado por alguém que ocupa o lugar de terapeuta, algo está errado. Se houver excesso de poder, controle ou imposição, corra.

A terapia não é sobre isso.

A terapia é sobre eu, enquanto terapeuta, te prestar um serviço.

É sobre te ajudar a chegar onde você deseja chegar.

Com respeito, parceria e responsabilidade — nunca com hierarquia.

 

Ps.: e se você decidir experimentar este processo, clique aqui e entre em contato para conversarmos.

 

Com carinho,

Mari

Mariana Cristina Fernandes

Psicóloga Clínica com mais de 20 mil horas de atendimento. Especialista em Terapia Comportamental, Psicoterapia Analítica Funcional e Psicopedagogia. Fundadora de uma clínica em SP, atua presencialmente e online. Desde 2016, compartilha conteúdos sobre saúde mental e desenvolvimento humano.

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