Essa dúvida aparece o tempo todo pra mim, pra você, para todos nós.
“Como é que eu sei se vale a pena?”
Ela surgiu recentemente dentro de uma sessão de terapia. Naquele momento, minha paciente estava bastante angustiada diante de uma decisão muito grande que havia tomado — uma decisão que envolvia muitas camadas de mudança na sua vida. E o questionamento dela era profundamente legítimo.
Quantas decisões a gente não toma querendo, desesperadamente, saber se vale a pena ou não apostar naquilo?
Juntas, fomos tentando responder a essa pergunta e chegamos a um ponto importante: para algumas decisões da vida, simplesmente não existe um parâmetro prático, objetivo ou exato que nos permita avaliar se “vale a pena” ou não.
É diferente, por exemplo, de um investimento financeiro. Dependendo do tipo de investimento, a gente conhece a projeção, a margem de risco e, em alguns casos, até quanto vai receber ao final de um determinado período. Existem variáveis mais claras, mais mensuráveis.
Na vida, para boa parte das decisões que tomamos, isso não acontece.
Não temos variáveis suficientemente objetivas para balancear, equacionar e então concluir: “isso vale a pena” ou “isso não vale a pena”. Em muitas situações, o que nos resta é escolher um caminho e nos manter abertos para onde esse caminho pode nos levar — para o que ele pode nos oferecer.
De certa forma, tudo pode valer a pena.
Depende de como nos relacionamos com a experiência.
Depende do quanto estamos abertos a nos transformar a partir dela.
Feliz ou infelizmente, controlamos pouquíssimas coisas na vida — para não dizer quase nada. As mudanças vão se impondo, os cenários vão se alterando e, muitas vezes, tudo o que podemos fazer é ir surfando entre o que a vida nos apresenta.
Somos surpreendidos o tempo inteiro: por sensações, doenças, mudanças, términos, reviravoltas. Cenários que não estavam no nosso radar, que não faziam parte do planejamento. Ainda assim, é importante que a gente se mantenha aberto.
“Será que vale a pena?” é uma pergunta justa, honesta.
Mas talvez não seja a pergunta que melhor nos ajude a avaliar uma experiência. Quando reconhecemos que não controlamos tudo — e que muitas experiências não são passíveis de cálculo —, talvez caiba um outro tipo de questionamento:
Eu estou vivendo essa experiência de peito aberto?
O que eu posso extrair dela para que faça sentido?
Como eu posso atravessar isso de modo que se torne um capítulo importante da minha história?
Às vezes, trocar a pergunta muda tudo. Ela encaixa melhor. E, principalmente, tira um peso enorme: o peso de tentar acertar. Porque quando perguntamos “vale a pena?”, quase sempre existe, por trás disso, um desejo profundo de acerto.
E a vida não é sobre acertar.
A vida é sobre viver, tentar, se entregar — e ir descobrindo, no caminho, onde isso vai dar.
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Um abraço carinhoso,
Mari





