“Eu quero fazer terapia, mas o meu parceiro não me apoia.”
“Eu quero fazer terapia, mas a minha família não me apoia.”
“Eu estou em terapia e as pessoas próximas vivem falando mal disso.”
Talvez você já tenha ouvido algo como:
“Nossa, você ficou tão chata depois que começou terapia.”
A pergunta que fica é: por que fazer terapia pode incomodar tanto quem está perto de nós?
Essa reflexão apareceu em alguns atendimentos recentemente, e achei importante compartilhá-la aqui.
O processo terapêutico pressupõe um mergulho profundo em autoconhecimento. Mas ele não se limita a isso. A terapia também convida o indivíduo a promover mudanças na própria vida, a transformar aspectos do seu ambiente e a desenvolver novas habilidades emocionais e relacionais.
Ao longo do processo, muitas pessoas começam a:
•falar mais claramente sobre o que precisam;
•expressar desejos;
•estabelecer limites;
•questionar dinâmicas que antes aceitavam em silêncio.
E eu frequentemente me pergunto: por que mudanças como essas incomodariam alguém?
A única resposta que me parece plausível é que essas mudanças podem incomodar quem não se beneficia delas.
Quando alguém começa a se fortalecer, algumas relações inevitavelmente se reorganizam.
Familiares que antes contavam com uma pessoa sempre disponível passam a lidar com alguém que agora estabelece limites.
Parceiros podem se deparar com alguém que expressa com mais clareza o que deseja e o que não aceita mais.
Amigos que estavam acostumados com “a parceirona”, “a mãezona”, “o paizão do grupo” passam a ouvir alguns “nãos” que antes não existiam.
Já faz muitos anos que trabalho em clínica como terapeuta. E, em inúmeras situações, quando alguém próximo do meu cliente começa a reclamar do processo terapêutico dele, acabamos descobrindo juntos algo importante: essa pessoa está sentindo o impacto de perder algumas regalias dentro daquela relação.
Por isso, eu sempre digo aos meus clientes: fazer terapia também é sobre bancar o seu desejo.
É sobre sustentar mudanças nas suas relações.
É sobre desenvolver uma nova postura diante da própria vida.
É sobre aprender habilidades que aproximem você daquilo que deseja construir para si.
Fazer terapia não é apenas sentar e refletir sobre a infância ou a adolescência. É, sobretudo, desenvolver recursos emocionais para viver de forma mais coerente com quem você quer ser.
E, feliz ou infelizmente, quando você começa a caminhar na direção da vida que deseja, algumas pessoas ao redor podem se frustrar com isso.
Porque a sua mudança, às vezes, também exige que as relações mudem.
Com carinho,
Mari





